A PEDAGOGIA DO DISCIPULADO
Texto de Estudo
Colossenses 1:28-29:
28 A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo; 29 E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente.
INTRODUÇÃO
A grande comissão de Cristo, narrada no último capítulo do livro de Mateus, revela que o plano do discipulado foi planejado, exclusivamente, por Deus; e, não, pelo ser humano. Ao mesmo tempo, somos convocados para nos dispormos a viver e morrer por esse plano .
Formar “cidadãos celestiais” para o Reino de Deus não é uma tarefa simples; requer esforço, paciência e perseverança, tanto do disciplinador quanto do discipulado. O processo de formação de um discípulo compara-se, metodologicamente, aos planejamentos pedagógicos desenvolvidos nas escolas seculares. O processo de ensino-aprendizagem de um aluno é desenvolvido por etapas muito bem planejadas e teorizadas. A cada passo, são realizadas avaliações diagnósticas para a verificação do crescimento dos educandos.
Forjar um discípulo também envolve didática a fim de que o alvo seja alcançado com sucesso. O objetivo primordial é conduzir um ser espiritualmente ingênuo a maduro. Contudo, deve-se ter em mente que discipulado é transmissão de vida; e, não somente, teoria .
A FINALIDADE DO DISCIPULADO
Ao longo no Novo Testamento, encontra-se a metáfora do cristão recém-nascido necessitando alimentar-se. Inicialmente, precisa do leite para o crescimento e, então, depois, poderá degustar o alimento sólido. Discipulador e discipulado devem desejar o “leite espiritual não adulterado”, ou seja, a verdadeira e pura Palavra de Deus.
O autor de Hebreus explica que a metáfora do leite significa as doutrinas rudimentares da fé cristã: Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite; e, não, de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. (Hebreus 5:12-15 NVI)
O Apóstolo Pedro, em sua primeira carta, afirma: “Desejai, afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” (1Pedro 2:2 NVI). O verbo desejai é enérgico e exprime o dever de cada cristão de buscar, com ânsia, o leite da Palavra. Assim, o cristão sincero estudar a palavra de Deus não é um trabalho, mas uma delícia, porque sabe que nela encontrará o alimento que sua alma deseja .
A igreja de Corinto, durante o apostolado de Paulo, vivia uma situação peculiar. O apóstolo critica os coríntios pelo fracasso em apreender o sentido do evangelho de Cristo que lhes havia anteriormente proclamado. Por conseguinte, ele está dizendo que os coríntios não foram capazes de fazer progresso no crescimento espiritual . Apesar da conduta néscia daqueles irmãos e da dureza da exortação de Paulo, ele não desiste de ensiná-los e conduzi-los à verdadeira doutrina cristã: “Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais” (1Coríntios 3:2 NVI).
Ao chamá-los de crianças, Paulo compara sua preocupação com os coríntios aos cuidados de uma mãe com o filho. Quando a mãe verifica que seu neném não está crescendo fisicamente, preocupa-se e consulta um médico. Da mesma forma, Paulo, que descreve a si mesmo como o pai dos coríntios pelo evangelho, está vitalmente interessado no crescimento espiritual deles .
Portanto, diante do exposto, o principal objetivo do discipulado é conduzir o discípulo de uma condição espiritualmente infantil a de um crente maduro, pronto a enfrentar os desafios da vida “debaixo do sol”. Vale ressaltar que a verdadeira maturidade é escatológica, ou seja, é apenas na Nova Jerusalém que seremos verdadeiramente maduros.
Quando Paulo diz que a meta de cada cristão é alcançar a perfeição, perfeito tem o sentido de que o crente vive, tanto interior como exteriormente, a vida cristã, desde o momento em que se apropriou plenamente do evangelho .
O CICLO DO DISCIPULADO
O processo de maturação de um cristão é composto por algumas etapas. Esse ciclo discipulado deve ser realizado progressivamente, sem pular etapas. Vejamos quais são:
1) A GRANDE COMISSÃO: A formação do discipulado está dividida em três fases, descritas no último capítulo do evangelho de Mateus, denominado de Grande Comissão. O mandado de Cristo também é conhecido de IDE. No entanto, no texto de Mateus 28:18, IDE, BATIZAR, ENSINAR não representam a principal ordem da missão que recai sobre “façam discípulos” . Toda a ênfase do texto é direcionada para “discipular”. Os outros verbos são auxiliares e explicam os estágios de “fazer discípulos”, ou sua metodologia, ou seja, como colocar a ordem em prática. Ao salientar o “fazer discípulos”, evidencia que a missão de Jesus não se resumia à formação de adeptos de Cristo ou de membros de igreja. Ele não mandou apenas “ganhar pessoas” que preenchessem bancos vazios nos templos, mas quis a transformação de vidas por meio da pregação do evangelho. A grande comissão é DISCIPULAR, como já foi dito, compreende três etapas que devem ser, integralmente, respeitadas: INDO, BATIZANDO E ENSINANDO.
A) INDO: Anteriormente, foi afirmado que o Ide não é o imperativo, mas uma ação em desenvolvimento. Assim, fazem-se discípulos INDO. O início do estágio do discipulado é a evangelização. Normalmente, a primeira fase relaciona-se à proclamação (Mt 10:6; 22:9; Lc 10:3; Mc 16:15). Remete ao disciplinador a ideia de que ele não deve estar parado; caso contrário, as boas-novas não serão ditas e, por conseguinte, não teremos discípulos. Essa é a primeira missão do disciplinador – levar o não crente a um encontro com Jesus Cristo.
B) BATIZANDO: O segundo passo é batizar. Portanto, fazem-se discípulos BATIZANDO. Este momento do processo consiste em preparar o discípulo para o batismo e concretizar o ato. Batizar é um verbo que se refere à inclusão de um novo convertido à Igreja. É um sinal externo da ligação do discípulo com a comunidade. Alguns discipuladores deixam de acompanhar o discípulo após o descer das águas, acreditando que este já possa andar com as próprias pernas.
C) ENSINANDO: Por fim, fazem-se discípulos ENSINANDO. É momento mais longo do processo, em que o novo crente é edificado, equipado e treinado, de forma mais profunda, por meio das doutrinas bíblicas para assemelhar-se a Cristo e dar frutos. Ensinar não se resume a um pequeno curso de alguns meses, mas caminhar, acompanhar, sofrer e alegrar-se com o novo irmão de fé. Jesus ensinou os discípulos até a sua subida. A partir do mestre, entendemos qual é a maior finalidade do ensino: obedecer a tudo que Jesus ensinou (Mt 28:20).
2 - ESTABELECER PASSOS: Durante o processo do cumprimento da Grande Comissão, deve-se estruturar, a partir de objetivos claros, passos fundamentais para o amadurecimento do discípulo. Jesus, em sua missão de preparar os discípulos, organizou seus ensinos em etapas bem definidas. Por exemplo, em Mateus 16:13-20, o Mestre tem a intenção de que os pupilos conheçam, profundamente, quem ele é, e faz a seguinte pergunta: “Quem sou eu para vocês?” (v.15). Jesus estava fazendo um grande teste com os 12 e queria avaliar se conseguiriam tirar as próprias conclusões sobre o Cristo, após todos os ensinamentos e lições ministradas e as percepções do povo acerca dele. Pedro, em nome do grupo, respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (v.16). O apóstolo claramente o chama de “o Ungido, o Messias, o Filho do Deus, o vivo”. Essa sublime confissão de Pedro significava que ele e os outros discípulos criam que Jesus era o Messias . Ou seja, haviam aprendido a lição!
Jesus estabelecera um objetivo claro e só avançaria nos treinamentos se eles soubessem realmente quem ele era. Após a avaliação, o Mestre iniciou um novo passo na capacitação, ensinando uma lição relatada na seguinte passagem: “Jesus começou a ensinar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse (...), e fosse morto e ressuscitasse no terceiro dia” (v. 21).
A Bíblia mostra alguns passos que o disciplinador deverá propor ao discípulo para que este seja preparado :
1º Passo: Ajudá-lo a entender e vivenciar a Salvação: O disciplinador deve direcionar para que cada discípulo “trabalhe a sua salvação”. Aos Filipenses, Paulo afirma: “De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade..”(Fl 2:12 grifo nosso).
O termo citado, “trabalhar a salvação”, refere-se a vivenciar a fé, andar como um seguidor de Cristo. A salvação é dom gratuito de Deus; no entanto, deve ser efetuada na vida prática, à vista da aproximação do “dia de Cristo”, que lhes completará a salvação .
2º Passo: Ajudá-lo a se relacionar com Deus: O nosso criador é um ser relacional e criou-nos à sua imagem e semelhança; portanto, o relacionamento é um fator primordial em nossa vida. O nosso relacionamento com Deus determina nossa saúde emocional, reorganiza nosso mundo interior e determina os nossos relacionamentos pessoais . A oração é um ato que desenvolve o relacionamento de Deus com os homens. Orar é um encontro pessoal e íntimo, que nos transforma mais à sua imagem, como afirma o apóstolo Paulo aos coríntios: “Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor ali há liberdade. E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2Co 3:17-18 NVI).
3º Passo: Ajudá-lo a se preparar para o batismo: O batismo é um ato meramente simbólico, a figura da nova vida; e, não, meio para obtê-la. Descer às águas simboliza a Morte, Sepultamento e Ressurreição de Cristo e do crente que está em comunhão com ele. O único e suficiente requisito para o batismo é crer em Jesus Cristo como salvador. Atualmente, as igrejas evangélicas orientam aos que desejam o batismo a participarem de um curso preparatório. Algumas razões justificam essa preparação: a) ter certeza de que a pessoa entendeu o que está fazendo e que não vive simplesmente um momento de emoção; b) não correr o risco de batizar uma pessoa não convertida e, com isso, dar-lhe uma falsa impressão de que está salva; c) ajudar a pessoa a entender que a conversão é apenas o começo da vida cristã .
4º Passo: Ajudá-lo a entender, profundamente, as doutrinas bíblicas: Em muitas igrejas evangélicas, há uma tamanha ignorância sobre doutrina que até conceitos básicos do cristianismo são desconhecidos ! Um dos sintomas dessa carência doutrinária é a ânsia por pregações de cunho prático e motivacional. Sem investimento em doutrinas bíblicas, desde o início da vida do discípulo, este construirá sua casa na areia e será lançado de um lado para outro por todo vento de doutrina, como afirmou Paulo: “O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro” (Ef 4:14).
5º Passo: Ajudá-lo a integrar-se à vida da igreja local: A integração ao Corpo invisível e místico de Cristo é o momento da conversão, mas o novo convertido precisa ser integrado à igreja local. Eis um ato de responsabilidade de cada membro da comunidade. Segundo Marli Doreto, em seu livro Manual de integração do novo convertido, há seis tipos de integração necessárias de ocorrer em uma igreja local.
a) Integração espiritual: Quando um discípulo inicia sua caminhada com Deus, muitas dúvidas teológicas surgem, e elas podem levá-lo a desistir ou desenvolver uma visão bíblica equivocada. A igreja local deve proporcionar ao novo convertido oportunidades para ele crescer espiritualmente saudável, a partir de Escolas Bíblicas, culto nos lares, cultos de oração, etc.
b) Integração eclesiástica: O discípulo precisa de informações acerca do funcionamento administrativo, ministerial e litúrgico da igreja. Exemplo: quando ele pode participar ativamente de um ministério, e quais são eles? Quais horários de culto? Como funcionam dízimos e ofertas, e como o dinheiro é aplicado? Ainda há outras informações pertinentes a integrá-lo à organização eclesiástica.
c) Integração doutrinária: Representa um dos mais importantes elementos no processo de integração do novo convertido, ou do irmão que veio de outra denominação com doutrinas distintas. Além dos pontos essenciais da fé cristã, que foram desenvolvidos desde o início do discipulado, o novo membro deve ser informado sobre o posicionamento da Igreja sobre a ética cristã, pontos específicos da doutrina da denominação e as práticas das outras igrejas evangélicas a fim de integrá-lo à linha doutrinária da Igreja. A falta dessa integração poderá trazer doutrinas alheias, aprendidas através de DVDs, programas de rádio e televisão, livros e pregações assistidas em outras igrejas. E tal acontecimento pode gerar confusão doutrinária e divisão na igreja.
d) Integração social: Para se fazer a integração social, é necessário que o novo convertido possa desenvolver novas amizades entre os irmãos na fé, formando uma rede de relacionamentos. As novas amizades tomarão o lugar das antigas, que não eram sadias. Para tanto, devem-se evitar grupos fechados que tornam difícil a integração do novo membro.
e) Integração emocional: Muitas são as emoções que um novo convertido enfrenta, no início de sua jornada cristã. Alguns são rechaçados pelos familiares e por amigos que não aceitam a sua conversão. Outros passam por momentos difíceis e não entendem o motivo de enfrentarem tais dificuldades se agora é convertido. Com quem irá compartilhar suas necessidades emocionais? Quem irá ajudá-lo a entender o que está acontecendo? Quem irá orar e caminhar com ele durante os momentos de necessidade espiritual? Quem dará suportes espiritual e emocional ao que está tentando superar algum vício? Isso é função, claro, da igreja local.
f) Integração cultural: Cultura é a maneira de ser de um povo ou comunidade, incluindo o que se tem em comum, em áreas como linguagem, alimentação, usos e costumes, história coletiva e maneira de pensar. Quando alguém começa a frequentar uma nova igreja, percebe-se prontamente uma cultura diferente com a qual está acostumado. Pessoas com Bíblia nas mãos, homens e mulheres vestem-se com modéstia, todos fecham os olhos na hora de orar, não se fala palavrões... O novo convertido fica constrangido ou intimidado por se sentir diferente. A integração cultural precisa reconhecer esses desafios, ter sensibilidade e paciência, durante o período de integração cultural, explicando o porquê dos diferentes costumes.
6º Passo: Ajudá-lo a evangelizar e discipular outras pessoas: Discipular é gerar filhos espirituais que, por sua vez, irão se multiplicar em outros. Uma das melhores maneiras de ajudar o discípulo a se tornar um discipulador é delegar tarefas. Em Marcos 3:9,10, vemos: E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não oprimisse, porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum mal se arrojavam sobre ele para lhe tocarem.
A multidão queria tocar em Jesus para obter cura. O barco serviria ao propósito de dar a ele espaço para ficar em pé. Assim, o mestre dá uma tarefa para seus discípulos: “...preparem um barquinho...”; simples tarefa, porém, fundamental para a ação do Mestre. Os primeiros discípulos delegaram a autoridade recebida de Cristo àqueles que treinaram. Com a autoridade de Cristo, designaram líderes para a Igreja e comissionaram-nos a instruir outros que, por sua vez, ensinariam ainda a outros .
DIDÁTICA E MATERIAIS DE ESTUDO
Após definir os passos de que os discípulos necessitam para adquirir a maturidade espiritual, deve-se observar a didática utilizada para que as etapas sejam cumpridas com sucesso. Segundo Libâneo, a didática é uma disciplina pedagógica que estuda o processo de ensino nos seus conjuntos teórico e prático, no qual objetivos, conteúdos, métodos e formas planejados na aula relacionam-se entre si para criar uma condição satisfatória de conhecimento e aprendizagem que produzam sentido e significado para o aluno .
Transferindo do contexto escolar para o eclesiástico, o discipulador deve levar em conta diversas estratégias, durante os encontros, ou tarefas que ele propõe ao discípulo. Por exemplo, além do curso bíblico, podem-se propor livros e filmes cristãos. Aulas práticas, como ensinar a orar, a evangelizar, a ministrar um culto, são importantes ferramentas no desenvolvimento do novo convertido.
Dentro do processo didático, várias estratégias são usadas com o intuito de levar o conhecimento e melhorar o aprendizado do aluno. Dentre essas, existem os materiais didáticos, que objetivam aprimorar e incentivar o aluno a desenvolver tarefas, buscar conhecimentos, ou seja, o material acaba se tornando uma ferramenta importantíssima entre o aluno e o professor. A escolha do material depende muito do grau escolar do discípulo, de sua idade e do conhecimento teológico. Também deve atrelar sua utilização aos objetivos propostos. Urge tomar cuidado em escolher um material muito simples para um aluno com certa maturidade, ou um material denso para discípulo imaturo.
CONCLUSÃO
Fazer discípulos é o mandado de Cristo a todos os servos. Discipular não é formar membros para igrejas, mas servos para Cristo, a partir do IDE, BATIZAR e ENSINAR. Por isso, envolve etapas importantes que devem ser cumpridas integralmente. Jesus ensinou, por meio dos discípulos, que os métodos dessa formação dos novos convertidos devem ser rigorosos.
Ao final do processo, o discípulo amadurecido está preparado para formar novos cristãos. Assim, fazer discípulos é um ciclo dinâmico, que deve ser cumprido pela igreja de Cristo até a sua volta.