Um povo santo
Contexto
As epístolas de Pedro foram escritas por Simão, que teve seu nome mudado por Jesus. Este Pedro, um enigma para muitas gerações de cristãos, é o discípulo que, depois de ter sido confrontado por Jesus com a pergunta: “Quem vocês dizem que eu sou?”, fez a declaração inspirada: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.15-16, NVI). Logo depois dessa afi rmação, ele impetuosamente e de maneira egoísta declarou que nunca permitiria que Jesus fosse morto. Este é também o mesmo homem que negou o Salvador por três vezes. Ainda, depois de restaurado por Jesus, através da declaração de seu amor e ser cheio do Espírito Santo no Pentecostes, tornou-se um dos mais proeminentes pilares na Igreja Cristã primitiva.
Pedro parecia manter uma posição de liderança entre os discípulos. Foi primeiramente nomeado em quatro listas separadas dos discípulos, em três dos evangelhos e no livro de Atos. Ele é também a fi gura principal nos primeiros 12 capítulos de Atos. Pedro consistentemente demonstrava uma poderosa autoridade em suas experiências de ministério e ao lidar com as situações que enfrentava.
A Saudação
A primeira epístola é escrita aos cristãos espalhados pelas províncias romanas, no que é hoje a parte ocidental da Ásia, provavelmente em meados de 64 D.C.. Ligado a um conhecimento prévio de Deus Pai, da obra do Espírito Santo e do sangue de Jesus Cristo, Pedro chama estes cristãos de eleitos de Deus. Eles são um povo separado por Deus, mas “forasteiros”, já que estão vivendo apenas temporariamente nesta terra e esperando por seu lar celestial. Pedro deseja grandemente que eles recebam a medida plena de graça e paz.
Salvação para os Que Crêem
Pedro agora compartilha com seus destinatários que eles têm uma esperança viva. O coração dele está cheio de temor pela misericórdia e graça de Jesus Cristo, cumpridas através da ressurreição. Não é o fato da esperança em si mesma, mas o fato da vida após a morte. Porque Jesus Cristo foi o primogênito dentre os mortos e por termos a promessa herdada pela sua ressurreição, podemos experimentar esta viva esperança.
Tenho frequentemente lutado com o significado de esperança. O que há dentro de nós que cintila esperança? Será a simples promessa de acordar de manhã depois de uma boa noite de sono? Será uma simples tarefa de estender a mão para acender uma luz na escuridão? Será que é a esperança que nos torna dispostos a nos submetermos ao bisturi do cirurgião? A esperança simples está frequentemente envolvida nas hipóteses ou expectativas da vida diária: planejar acordar de manhã, presumir que a luz virá, esperar a recuperação e melhora depois de uma cirurgia, trazendo como resultado uma melhor situação de vida.
Continuando, a esperança de que o apóstolo fala nasce exclusivamente de nosso relacionamento pessoal com Jesus Cristo, a promessa de salvação por meio de seu sangue, a promessa de vida eterna. Eu aguardo ansiosamente o tempo em que estarei pronto para encontrar-me com Cristo, para caminhar com ele em direção à minha herança celestial que nunca se estraga ou desaparece. Essa é a maior esperança que eu consigo imaginar – a esperança resultante da crença pessoal, do comprometimento pessoal, e de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo, resultando em grande alegria. Esta esperança não pode ser corrompida pelas violações dos caminhos mundanos. Ela não pode ser contaminada pelos ataques de Satanás. Ela não pode desfalecer. Permanecendo centrados em Jesus Cristo, essa esperança nos move a compartilhar o evangelho com os que estão à nossa volta. Em quem e em quê reside sua esperança? De onde vem a sua esperança?
Provações do Presente Protegidas pela Fé
Em seu conselho às igrejas da Ásia, Pedro lhes diz que a vida não passará sem sofrimentos e tribulações. Temos sofrimentos nestes dias, mas suspeito que os nossos, em sua maioria, empalidecem se as compararmos com as provações enfrentadas pelos primeiros cristãos.
Uma razão para isto é que havia a luta de se viver em mundo incrivelmente pagão, um mundo cheio de múltiplos deuses, prazeres sexuais incontrolados, prostituição e orgias. Em Romanos 1 e e em 1 e 2 Coríntios, Paulo repreende duramente as igrejas por se renderem a forças malignas. João, em sua primeira epístola disse, “examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, ” (1 João 4.1, NVI).
Havia também uma crescente perseguição da igreja. Aprisionamento por causa da fé não era incomum, como o próprio Pedro experimentou. Mas Pedro lhes diz (e a nós, se estivermos escutando) que estes sofrimentos provam a fé deles (e a nossa). Muito maior que o ouro refi nado no fogo é a pessoa que se opõe, através do poder do Espírito Santo, aos ataques e desafi os do mundo e permanece fi el ao relacionamento estabelecido com Jesus Cristo. Embora o ouro refi nado no fi m vá passar, o cristão fiel jamais morrerá. Passar no teste trará louvor, glória e honra a Jesus Cristo.
Salvação Profetizada
Os leitores são lembrados dos anúncios de salvação dos profetas. A graça de Deus foi prometida, não levianamente, mas com investigação, pesquisa e um foco no tempo e nas circunstâncias da vinda de Cristo. Lemos muitas profecias diretas que foram cumpridas na pessoa e vida de nosso Salvador, profecias que foram reveladas pelo Espírito Santo. É inquestionável para mim que os profetas do passado estavam ansiosos e entusiasmados com as mensagens que Deus lhes dava. Ainda assim lutavam com mensagens adicionais, algumas das quais previam destruição e juízo por causa dos pecados do povo. Estas mensagens ressoam a nós hoje? O pecado está tão desenfreado em nossa sociedade que o Mestre não pode mais salvar? Absolutamente não! “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e eternamente” (Hebreus 13.8).
Um Chamado à Santidade Finalmente, Pedro desafi a seus leitores à santidade. Prepare-se para a ação! Seja sóbrio! Coloque sua esperança na graça! Ponha seu foco no que é certo! Seja santo em sua conduta! Em nosso mundo há muitas pessoas boas. Tenho ouvido mais vezes do que consigo me lembrar, “Ele é um bom homem!” ou “Ela é uma boa mulher!” Contudo, Pedro não permite que um indivíduo alcance a santidade por si próprio. Ao invés disso, ele a liga diretamente a Levíticos 19.2: “Sejam santos porque eu, o Senhor seu Deus, sou santo” (NVI). A verdadeira santidade vem através da completa rendição ao propósito e à vontade de Deus, completada e cumprida na obra de Cristo na cruz, resgatando-nos da sentença do pecado, não com ouro refi nado, mas com o sangue do sacrifício do Cordeiro, pois “... sem derramamento de sangue não há remissão de pecados” (Hebreus 9.22).
De fato, nascemos de semente imperecível. Somos co-herdeiros com Cristo. Ponha sua fé e esperança em Deus! Purifi que sua alma! Ame uns aos outros com coração puro.