Uma Comunidade que Ora
Explanação
Hoje completamos nossa série de quatorze estudos sobre os vários retratos de Jesus. Quatorze facetas do Rei dos reis é uma lista considerável! Esperamos, no entanto, que você esteja envolvido em um longo estudo das imagens de Cristo e aprenda mais e mais sobre esse homem maravilhoso, este admirável Deus. Além disso, a minha oração é que você não apenas aprenda mais sobre Jesus Cristo, mas também que você seja atraído para mais perto dele. Nosso Salvador, nosso Senhor, nosso Deus, deseja ser conhecido não apenas intelectualmente, mas também experimentalmente. O cristianismo não é uma religião sobre Deus, mas sim, um relacionamento com Deus.
Ao estudarmos o livro de Hebreus, nas cinco primeiras lições, vimos as seguintes imagens de Jesus: Filho de Deus, intercessor, redentor, líder e o eterno. Então passamos a esquadrinhar, através dos Evangelhos, a Jesus como mestre, médico, servo e messias. Este mês, temos enfocado nos retratos de Jesus que vemos refletidos em nossa própria vida: sendo praticantes da Palavra, discípulos imparciais, pregadores sábios e pessoas de um bom comportamento. A nossa última lição olha para a oração: Assim como Jesus praticou tanto a oração comunitária quanto a individual, nós também somos chamados a sermos membros ativos de uma comunidade que ora. Será esta a mais importante imagem de Cristo? Eu não sei sobre isso, mas vejo a oração como uma faceta que nos capacita a vivermos todos os outros aspectos da vida cristã. Estudar sobre oração, portanto, é a melhor forma de completarmos o nosso estudo trimestral sobre as várias imagens de Jesus.
Na leitura devocional de hoje, em Tessalonicenses 5, Paulo nos convoca a incorporarmos certas atitudes em nossa vida diária como discípulos de Jesus. Estar sempre alegres e ser agradecidos são dois exemplos de tais atitudes que devem ser tomadas numa base diária. A oração, especialmente como retratado por Paulo nesta passagem (“orar continuamente”, 1 Tessalonicenses 5:17, NIV), é uma ação que é construída a partir do fundamento de uma atitude. Tiago concorda, quando nos desafia a adotar um estilo de vida que só pode ser suportado por um fundamento permanente de oração.
Exploração
Enquanto a oração pode ser vista como uma ação e atitude, ela também pode ser experimentada tanto pessoal quanto comunitariamente. Como mencionado acima, Jesus participou em ambos os tipos de oração. Tiago também nos chama a nos envolvermos em orações pessoais e comunitárias. Nossa conexão com Deus é fortalecida quando é compartilhada em comunidade com outros.
Um exemplo de oração pessoal é visto em Tiago 5:13. Quando estamos enfrentando problemas, algo que podemos fazer para melhor lidar com eles é orar. Embora não sendo a única resposta para os nossos problemas, a oração deve ser a primeira. Para muitas pessoas, a oração é o último recurso, algo a ser tentado quando estão encurralados e não veem outra saída. Tiago está exortando-nos a usar a oração como nossa primeira instância, a base para tudo o que fazemos.
Faz sentido pedirmos a ajuda de Deus quando estamos em apuros. Não é lógico que também oremos quando não estamos em apuros? Tiago pensa que sim, ao nos encorajar a cantar louvores a Deus quando estamos felizes (versículo 13). Este é outro exemplo de oração pessoal, embora outros possam partilhar desta oração, dependendo do quão alto se torne nosso louvor!
Em seguida, nos versos 14-16, vemos um chamado para a oração comunitária. A doença, por exemplo, é uma ocasião que leva o povo de Deus a se unir em prol do enfermo (versos 14-15). Se há pecado presente na vida da pessoa, orar com os anciãos da igreja fornece um fórum adequado para a confissão, levando à cura interior que o perdão oferece.
A prestação de contas é outra razão para se engajar em oração comunitária (versículo 16). Há um tremendo poder em manter relações transparentes com alguns amigos. Estes relacionamentos são fundamentais para nós. Deus pode usá-los para estimular-nos e desafiar-nos em nossas lutas pessoais. Como Tiago diz, confessar nossos pecados uns aos outros e orar em conjunto com outros, pode levar à cura.
Encorajamento
Vamos olhar para alguns exemplos de como a oração traz mudanças, embora seja uma lista incompleta. Um dos resultados imediatos da oração é que ela nos faz mais cientes da presença de Deus em nossa vida. O rei Davi sabia que Deus está sempre conosco: “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.” (Salmo 139:7-10). Assim como Davi, eu também sei que Deus está sempre presente comigo, porém algumas vezes preciso ser relembrado. Quando paro tudo, dobro meus joelhos diante de Deus, e busco sua face em oração, sou poderosamente relembrado da presença dele em minha vida.
Em Tiago 5:7-8 temos a ilustração de um fazendeiro que pacientemente espera pelas chuvas e então pela colheita. Portanto, como podemos ver grande parte deste processo está fora do controle do agricultor. A nossa vida é da mesma maneira: Muitas vezes estamos à mercê de forças que estão além do nosso controle. Isto garante um forte elemento de incerteza em nossa vida. Esta incerteza pode ser complementada, no entanto, com um forte elemento de segurança: Deus não somente acompanha-nos em nosso sofrimento, mas ajuda-nos a superá-los. Esta verdade é confirmada cada vez que participamos da oração em comunidade. Nós tomamos sobre nossos ombros os fardos de nossos irmãos e eles nos ajudam a carregar os nossos. A oração nos lembra que não estamos sós: tanto Deus quanto seu povo estão conosco. Mais uma vez, a nossa relação com Deus é mais forte quando é compartilhada com outras pessoas na comunidade. É de suma importância orarmos uns pelos outros. Da mesma forma é extremamente recomendável que as famílias das igrejas estejam orando umas pelas outras.
A oração também muda nossa perspectiva sobre Deus. Tiago 5:11 nos lembra que Deus é compassivo e misericordioso. O Salmo 103 amplia ainda mais esse pensamento: “Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade. Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira. Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades. Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.” (Salmo 103:8-12).
Deus não injeta tribulações em nossa vida com a finalidade de nos punir. Ele permite que desafios e sofrimentos façam parte de nossa caminhada porque estas provações nos levarão para mais perto dele. Aliás, certa vez feita fui perguntado sobre a diferença entre provação e tentação. De uma forma bastante simples respondi que provação é qualquer dificuldade que lhe conduza para mais perto de Deus; já tentação é qualquer coisa que tente lhe afastar dele. Quando levamos a Deus, em oração, nossas frustrações, medos, necessidades e desesperos, somos relembrados que Deus está do nosso lado. Não somente Deus está do nosso lado, como também Ele peleja por nós.
Você conhece Jesus Cristo não somente intelectualmente, mas também experimentalmente? Eu lhe encorajo a investir tempo com Jesus em oração, tanto individual quanto coletivamente. Fortaleça sua conexão com o Único que pode fortalecer você.